E toda alegria postiça,
esse falso êxtase
a fantasia acomodada no momento fútil...
isso vai passar.
Diante da felicidade genuína
do mar lavando os pés e a maresia arranhando o rosto,
fez-se dissolvida a fotografia do momento de euforia,
fez-se morto o reino da ilusão fingida,
e posto o reino da ilusão espontânea e fugás,
que essa sim,
mora no âmago da vida,
e por mais efêmera que seja,
não passará jamais.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Pra ti
"É assim que nesta imensidade afogo o pensamento: e o naufrágio é doce neste mar."
Hoje eu tirei o dia pra ti
abri a janela e encarei a madrugada sem fim
com meu peito arranhado pelas mãos da distância.
Chorei, na vã esperança de te ver na minha varanda
ou de te ler nas entrelinhas de alguma estrela
e senti todo meu sangue pulsar,
implorando tua presença,
senti minha pele se enrugar,
envelhecendo anos e anos por causa da tua ausência.
Oh, menina!
As plantas respiram teu ar, o fogo consome tua alma
e a vida se refaz no teu sorriso.
Parem tudo, deixem tudo exatamente no mesmo lugar!
Pois quando passas, tudo se irreleva,
tornando-se mera paisagem atrás da tua sombra,
e quando tu me envolves o coração com cânticos e poemas de verão
é como se a infância retornasse à minha alma,
com minhas ilusões e sonhos de menino,
cheio de pequenos sorrisos e infinitas alegrias.
Se derramas uma lágrima, me é caro,
e sinto minha vida sendo tomada por um inverno cruel.
Mas não! Não vim aqui pra falar de tuas lágrimas!
Vim te dizer o quanto te amo,
e como vejo teu olhar em cada gota da chuva,
vim te mostrar como tua luz me guia por esse túnel escuro que é a vida,
Vim te dizer que acredites,
acima de tudo, meu amor, acredites
que, quando o sol bate forte nos meus olhos,
só os fecho porque tenho uma imensa certeza:
de que, ao fechá-los, a imagem do teu rosto virá, límpida e certa, ao meu encontro.
Guilherme Cavalcante
Hoje eu tirei o dia pra ti
abri a janela e encarei a madrugada sem fim
com meu peito arranhado pelas mãos da distância.
Chorei, na vã esperança de te ver na minha varanda
ou de te ler nas entrelinhas de alguma estrela
e senti todo meu sangue pulsar,
implorando tua presença,
senti minha pele se enrugar,
envelhecendo anos e anos por causa da tua ausência.
Oh, menina!
As plantas respiram teu ar, o fogo consome tua alma
e a vida se refaz no teu sorriso.
Parem tudo, deixem tudo exatamente no mesmo lugar!
Pois quando passas, tudo se irreleva,
tornando-se mera paisagem atrás da tua sombra,
e quando tu me envolves o coração com cânticos e poemas de verão
é como se a infância retornasse à minha alma,
com minhas ilusões e sonhos de menino,
cheio de pequenos sorrisos e infinitas alegrias.
Se derramas uma lágrima, me é caro,
e sinto minha vida sendo tomada por um inverno cruel.
Mas não! Não vim aqui pra falar de tuas lágrimas!
Vim te dizer o quanto te amo,
e como vejo teu olhar em cada gota da chuva,
vim te mostrar como tua luz me guia por esse túnel escuro que é a vida,
Vim te dizer que acredites,
acima de tudo, meu amor, acredites
que, quando o sol bate forte nos meus olhos,
só os fecho porque tenho uma imensa certeza:
de que, ao fechá-los, a imagem do teu rosto virá, límpida e certa, ao meu encontro.
Guilherme Cavalcante
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Epílogo
Nestes dias,
prezo pela inutilidade de cada momento
o teto do meu quarto queima em tons de mercúrio
e, de quando em quando,
irrompe um cometa flamejante
como em um sonho infantil de verão,
iluminando, brevemente, os espaços curtos do cômodo
enquanto flechas do sol entram pela janela
ébrias e repentinas,
numa arritmia que faz tremer minha alma
num baque surdo que sangra meus lábios
e me queima as pálpebras
numa tensão que me encharca o peito de suor febril
numa perplexidade que me espalha em mil pedaços de dúvida
como um grande espelho que se estatela no chão
num corte que me cauteriza as chagas,
num bater de asas que me afasta do destino
(ou talvez, o destino que me afasta por eu não ter asas)
numa louca e vã euforia que me lava os sonhos
e que me faz desvanecer em receios
em medos que me derramam pela correnteza
rio abaixo, de encontro ao mar salgado
num grito silencioso, para dentro de si
que me deforma a boca
numa inexatidão de formas e sentimentos
que variam entre as cores cinza e preta
numa leve bruma que mais parece olhos noturnos
cobrindo o ar com uma melancólica respiração
numa súbita tentação que me compele à solidão
tal qual uma vela que,
antes mesmo de incandescer,
já sabe que vai apagar...
e a troco de que?
ô, poema...
deixa-me dormir,
eis que a vida é curta,
mas os braços da noite são longos
e me chamam pelo Nome.
Adeus, poema.
Adeus.
prezo pela inutilidade de cada momento
o teto do meu quarto queima em tons de mercúrio
e, de quando em quando,
irrompe um cometa flamejante
como em um sonho infantil de verão,
iluminando, brevemente, os espaços curtos do cômodo
enquanto flechas do sol entram pela janela
ébrias e repentinas,
numa arritmia que faz tremer minha alma
num baque surdo que sangra meus lábios
e me queima as pálpebras
numa tensão que me encharca o peito de suor febril
numa perplexidade que me espalha em mil pedaços de dúvida
como um grande espelho que se estatela no chão
num corte que me cauteriza as chagas,
num bater de asas que me afasta do destino
(ou talvez, o destino que me afasta por eu não ter asas)
numa louca e vã euforia que me lava os sonhos
e que me faz desvanecer em receios
em medos que me derramam pela correnteza
rio abaixo, de encontro ao mar salgado
num grito silencioso, para dentro de si
que me deforma a boca
numa inexatidão de formas e sentimentos
que variam entre as cores cinza e preta
numa leve bruma que mais parece olhos noturnos
cobrindo o ar com uma melancólica respiração
numa súbita tentação que me compele à solidão
tal qual uma vela que,
antes mesmo de incandescer,
já sabe que vai apagar...
e a troco de que?
ô, poema...
deixa-me dormir,
eis que a vida é curta,
mas os braços da noite são longos
e me chamam pelo Nome.
Adeus, poema.
Adeus.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Meu Norte
Que fizestes de mim, Destino?
Eu, que hei de nascer e morrer menino.
Que ousastes para mim, Destino?
Eu, que agora subo as escadarias velhas
e adentro a tua igreja,
uma igreja sem sinos.
Que tomastes de mim, Destino amigo?
Eu, que sofri com as mediocridades dos dias cinzas
e até hoje carrego tuas cruzes,
mas já nem sei se consigo.
Que iluminastes em mim, vão Destino?
Eu, que nas horas de escuridão
abriguei em minha voz o teu silêncio...
pequenino, pequenino.
Que choras em mim, Destino?
Já não sabes que não te estimo?
Que em minhas veias pálidas correm os rios,
e em minhas artérias repousam os mares,
onde todos os navios do mundo içam velas e rumam...
sem destino, sem destino.
Guilherme Cavalcante
Eu, que hei de nascer e morrer menino.
Que ousastes para mim, Destino?
Eu, que agora subo as escadarias velhas
e adentro a tua igreja,
uma igreja sem sinos.
Que tomastes de mim, Destino amigo?
Eu, que sofri com as mediocridades dos dias cinzas
e até hoje carrego tuas cruzes,
mas já nem sei se consigo.
Que iluminastes em mim, vão Destino?
Eu, que nas horas de escuridão
abriguei em minha voz o teu silêncio...
pequenino, pequenino.
Que choras em mim, Destino?
Já não sabes que não te estimo?
Que em minhas veias pálidas correm os rios,
e em minhas artérias repousam os mares,
onde todos os navios do mundo içam velas e rumam...
sem destino, sem destino.
Guilherme Cavalcante
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