nessa vagueza de gestos
dentro do círculo de passos avulsos que fiz
riscando com giz o caminho convulso
me encontro numa paisagem sem matiz
me afogando no espaço imaginário
entre a tinta e a moldura
entre o sonho e aquilo que perdura...
enquanto isso,
meus grilhões de ar me puxam de volta ao chão.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Meu Norte
Que fizestes de mim, Destino?
Eu, que hei de nascer e morrer menino.
Que ousastes para mim, Destino?
Eu, que agora subo as escadarias velhas
e adentro a tua igreja,
uma igreja sem sinos.
Que tomastes de mim, Destino amigo?
Eu, que sofri com as mediocridades dos dias cinzas
e até hoje carrego tuas cruzes,
mas já nem sei se consigo.
Que iluminastes em mim, vão Destino?
Eu, que nas horas de escuridão
abriguei em minha voz o teu silêncio...
pequenino, pequenino.
Que choras em mim, Destino?
Já não sabes que não te estimo?
Que em minhas veias pálidas correm os rios,
e em minhas artérias repousam os mares,
onde todos os navios do mundo içam velas e rumam...
sem destino, sem destino.
Guilherme Cavalcante
Eu, que hei de nascer e morrer menino.
Que ousastes para mim, Destino?
Eu, que agora subo as escadarias velhas
e adentro a tua igreja,
uma igreja sem sinos.
Que tomastes de mim, Destino amigo?
Eu, que sofri com as mediocridades dos dias cinzas
e até hoje carrego tuas cruzes,
mas já nem sei se consigo.
Que iluminastes em mim, vão Destino?
Eu, que nas horas de escuridão
abriguei em minha voz o teu silêncio...
pequenino, pequenino.
Que choras em mim, Destino?
Já não sabes que não te estimo?
Que em minhas veias pálidas correm os rios,
e em minhas artérias repousam os mares,
onde todos os navios do mundo içam velas e rumam...
sem destino, sem destino.
Guilherme Cavalcante
terça-feira, 13 de setembro de 2011
There are things of which I may not speak;
There are dreams that cannot die;
There are thoughts that make the strong heart weak,
And bring a pallor into the cheek,
And a mist before the eye.
And the words of that fatal song
Come over me like a chill:
"A boy's will is the wind's will,
And the thoughts of youth are long, long toughts."
Henry Wadsworth Longfellow - Lost Youth
There are dreams that cannot die;
There are thoughts that make the strong heart weak,
And bring a pallor into the cheek,
And a mist before the eye.
And the words of that fatal song
Come over me like a chill:
"A boy's will is the wind's will,
And the thoughts of youth are long, long toughts."
Henry Wadsworth Longfellow - Lost Youth
sábado, 13 de agosto de 2011
Antes do Sol
Vivo confinado em um corpo que não é meu,
cego pela poeira e maresia daqueles que me tecem o destino
e entrelaçam meus braços,
me deixando impotente diante do vento cinza que me corta a pele.
Queria ver meu olhar refletido na aurora,
estendido nos longos braços das nuvens
até encontrar o Grande Astro,
queimando em asas de loucura e esperança...
Mas não.
Talvez não.
Talvez isso seja mais do que eu possa esperar.
Mais do que me cede esta vil realidade,
e menos do que estou disposto a receber.
cego pela poeira e maresia daqueles que me tecem o destino
e entrelaçam meus braços,
me deixando impotente diante do vento cinza que me corta a pele.
Queria ver meu olhar refletido na aurora,
estendido nos longos braços das nuvens
até encontrar o Grande Astro,
queimando em asas de loucura e esperança...
Mas não.
Talvez não.
Talvez isso seja mais do que eu possa esperar.
Mais do que me cede esta vil realidade,
e menos do que estou disposto a receber.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Vulto
O silêncio irrompe o sonho,
como uma sombra covarde de vulto escarlate
e eu me permito um breve fechar de olhos, enquanto profiro sentimentos indóceis contra o vento.
A cólera salta o peito flamejante em lágrimas,
e eu esqueço daquilo que já se diluiu em minha alma,
e que hoje se envolve em detritos e calafrios...
tardios como o sol dos que se entregam à escuridão da noite.
Deixo que meus braços se encontrem com o grande nada à minha frente,
que meus pés pisem os azulejos gastos pela maresia,
e que as horas se encarreguem de consumir meu destino.
Deixo tudo aquilo que tenho que deixar,
e, ainda assim,
me sobram sentimentos supérfluos.
por Guilherme.
Música: Bob Dylan - Idiot Wind
como uma sombra covarde de vulto escarlate
e eu me permito um breve fechar de olhos, enquanto profiro sentimentos indóceis contra o vento.
A cólera salta o peito flamejante em lágrimas,
e eu esqueço daquilo que já se diluiu em minha alma,
e que hoje se envolve em detritos e calafrios...
tardios como o sol dos que se entregam à escuridão da noite.
Deixo que meus braços se encontrem com o grande nada à minha frente,
que meus pés pisem os azulejos gastos pela maresia,
e que as horas se encarreguem de consumir meu destino.
Deixo tudo aquilo que tenho que deixar,
e, ainda assim,
me sobram sentimentos supérfluos.
por Guilherme.
Música: Bob Dylan - Idiot Wind
domingo, 19 de dezembro de 2010
Ar
Tudo do trágico ma atrai,
não as agruras da vida
ou suas misérias,
mas o pesar da finitude de cada lapso de beleza,
da névoa cinza e convulsa que é o tempo.
Tudo isso me leva a crer no quão desnorteada é esta caminhada
levando-me a ponderar se realmente é necessário calçar minhas botas,
ou o sangue nos pés de um homem é o que demonstra o quanto ele já traçou do seu destino.
Tudo coexiste numa cínica realidade,
onde cada passo é um tiro a esmo,
rumo a um destino que escorre entre meus dedos.
Então, vejo-me novamente,
alado, pés em chamas,
desviando dos cumes das montanhas de pessoas estranhas
esbarrando em nuvens de sentimentos remotos,
eis que tudo no Mundo resume-se a um amontoado de almas dispersas.
Em queda livre.
não as agruras da vida
ou suas misérias,
mas o pesar da finitude de cada lapso de beleza,
da névoa cinza e convulsa que é o tempo.
Tudo isso me leva a crer no quão desnorteada é esta caminhada
levando-me a ponderar se realmente é necessário calçar minhas botas,
ou o sangue nos pés de um homem é o que demonstra o quanto ele já traçou do seu destino.
Tudo coexiste numa cínica realidade,
onde cada passo é um tiro a esmo,
rumo a um destino que escorre entre meus dedos.
Então, vejo-me novamente,
alado, pés em chamas,
desviando dos cumes das montanhas de pessoas estranhas
esbarrando em nuvens de sentimentos remotos,
eis que tudo no Mundo resume-se a um amontoado de almas dispersas.
Em queda livre.
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