terça-feira, 3 de setembro de 2013

as eras que passam,
mas são os minutos que corroem.
o infindável ruído do relógio pendurado à parede amarelada
a mim me parece como o sol que derrete em gotas inflamáveis
os segundos do dia
esparramados na mesa de jantar.
e eu, criatura estática
prostrado diante do caos silencioso que impera,
receio o embate contra o Tempo.
sou um desertor.
alheio-me desse corpo para me apossar da minha alma
tênue e opaca, a vagar por alguma cidade fantasma
tal qual o dono...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Fim de tarde

tenho vivido dos pequenos contentamentos diários...
minha vida se resume ao minuto por vir.

terça-feira, 25 de junho de 2013

achei no breu do silêncio o momento da Verdade
sem o caos das vozes,
os espaços vazios de tudo e qualquer coisa,
minha respiração transborda o ar
minha letra se desenha
e meu Universo se expande.
Que meu espírito se dilua no vento antes que alguém me encontre.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Todo homem deve escolher um momento do dia para perscrutar o seu eu. O maior covarde é aquele que foge do confronto com a solidão, e recorre, invariavelmente, ao intuitivo agrupamento em multidões. Esse instinto de sobrevivência que associa os homens, muitas das vezes os mata, ao distanciá-los de si mesmos.


terça-feira, 19 de março de 2013

Do outro lado

o alívio que causa o desprendimento da alma
a transpiração dos princípios fúteis
queria levar uma vida moralmente frugal,
apenas por um dia.
Dilacerar a noção de espaço em invisíveis universos
absorver em ínfimas porções de oxigênio
somente o necessário ao suspiro de alívio
e correr, correr nos infinitos campos e vales
de um país que eu nunca conheci,
despido dos olhares perscrutadores
dos homens mesquinhos
que hoje me arranham a pele.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O homem comum

no claustofróbico cômodo
o tapete empoeirado
e sobre a mesa o pão embolorado
rezam a prece fúnebre do cidadão
homem malsão,
de músculos retesados
e face queimada pelos poucos,
ainda que poucos,
feixes de sol a adentrar o cômodo.
Claustrofóbico.
Onde a alma do cidadão sobrevive da antropofagia do cotidiano.



sexta-feira, 1 de março de 2013

Dia que segue

me desapego desse consolo
sou atordoado a visão do vento
fluido e ligeiramente tépido
uma das melhores futilidades da vida:
nunca perder de vista
as sutilidades do dia.