E eu vejo que assim...
entre aquilo que do sonho adveio
e isto que mora em mim
não resta o começo e nem o meio, apenas um fim.
Nesta realidade pueril que criei,
onde tocam sinos e anjos vertem lágrimas de sal
uma vez me lancei
destemido, menino, que tal qual
uma vez eu fui e para sempre serei.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
deitado no vácuo
e a vontade de virar ar me ocupa o pensamento
vou morrer da realidade cotidiana
se antes não flutuar, como névoa,
por todo o firmamento
e antes, me pulsa no peito o peso invisível da existência
porque eu sei que moro no templo (irreal)
entre a alma e a ciência
Há de chegar o dia em que eu,
bêbado de cólera, sonho e aguardente
vou irromper pelos caminhos desviantes
da minha própria estrada,
silente.
"And this is the house where I could be unknown
be alone now
soon the waves and I
found the rolling tide
soon the waves and I
found the rip tide." - Beirut
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Esvaíram-se, amigo. Foram embora todos aqueles anos de ira
silenciosa, impúbere, que me tomavam o seio da alma. Sinto hoje como se me
tivesse sido subtraída toda rebeldia da saudosa adolescência. Que saudade de
minha adolescência! Do meu olhar de passarinho, vendo o mundo através da lente da
alma... eu sentia sem saber. Como um sonho, que, mesmo com todo esforço da vida, não consigo me lembrar como foi...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
E toda alegria postiça,
esse falso êxtase
a fantasia acomodada no momento fútil...
isso vai passar.
Diante da felicidade genuína
do mar lavando os pés e a maresia arranhando o rosto,
fez-se dissolvida a fotografia do momento de euforia,
fez-se morto o reino da ilusão fingida,
e posto o reino da ilusão espontânea e fugás,
que essa sim,
mora no âmago da vida,
e por mais efêmera que seja,
não passará jamais.
esse falso êxtase
a fantasia acomodada no momento fútil...
isso vai passar.
Diante da felicidade genuína
do mar lavando os pés e a maresia arranhando o rosto,
fez-se dissolvida a fotografia do momento de euforia,
fez-se morto o reino da ilusão fingida,
e posto o reino da ilusão espontânea e fugás,
que essa sim,
mora no âmago da vida,
e por mais efêmera que seja,
não passará jamais.
terça-feira, 15 de maio de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
Pra ti
"É assim que nesta imensidade afogo o pensamento: e o naufrágio é doce neste mar."
Hoje eu tirei o dia pra ti
abri a janela e encarei a madrugada sem fim
com meu peito arranhado pelas mãos da distância.
Chorei, na vã esperança de te ver na minha varanda
ou de te ler nas entrelinhas de alguma estrela
e senti todo meu sangue pulsar,
implorando tua presença,
senti minha pele se enrugar,
envelhecendo anos e anos por causa da tua ausência.
Oh, menina!
As plantas respiram teu ar, o fogo consome tua alma
e a vida se refaz no teu sorriso.
Parem tudo, deixem tudo exatamente no mesmo lugar!
Pois quando passas, tudo se irreleva,
tornando-se mera paisagem atrás da tua sombra,
e quando tu me envolves o coração com cânticos e poemas de verão
é como se a infância retornasse à minha alma,
com minhas ilusões e sonhos de menino,
cheio de pequenos sorrisos e infinitas alegrias.
Se derramas uma lágrima, me é caro,
e sinto minha vida sendo tomada por um inverno cruel.
Mas não! Não vim aqui pra falar de tuas lágrimas!
Vim te dizer o quanto te amo,
e como vejo teu olhar em cada gota da chuva,
vim te mostrar como tua luz me guia por esse túnel escuro que é a vida,
Vim te dizer que acredites,
acima de tudo, meu amor, acredites
que, quando o sol bate forte nos meus olhos,
só os fecho porque tenho uma imensa certeza:
de que, ao fechá-los, a imagem do teu rosto virá, límpida e certa, ao meu encontro.
Guilherme Cavalcante
Hoje eu tirei o dia pra ti
abri a janela e encarei a madrugada sem fim
com meu peito arranhado pelas mãos da distância.
Chorei, na vã esperança de te ver na minha varanda
ou de te ler nas entrelinhas de alguma estrela
e senti todo meu sangue pulsar,
implorando tua presença,
senti minha pele se enrugar,
envelhecendo anos e anos por causa da tua ausência.
Oh, menina!
As plantas respiram teu ar, o fogo consome tua alma
e a vida se refaz no teu sorriso.
Parem tudo, deixem tudo exatamente no mesmo lugar!
Pois quando passas, tudo se irreleva,
tornando-se mera paisagem atrás da tua sombra,
e quando tu me envolves o coração com cânticos e poemas de verão
é como se a infância retornasse à minha alma,
com minhas ilusões e sonhos de menino,
cheio de pequenos sorrisos e infinitas alegrias.
Se derramas uma lágrima, me é caro,
e sinto minha vida sendo tomada por um inverno cruel.
Mas não! Não vim aqui pra falar de tuas lágrimas!
Vim te dizer o quanto te amo,
e como vejo teu olhar em cada gota da chuva,
vim te mostrar como tua luz me guia por esse túnel escuro que é a vida,
Vim te dizer que acredites,
acima de tudo, meu amor, acredites
que, quando o sol bate forte nos meus olhos,
só os fecho porque tenho uma imensa certeza:
de que, ao fechá-los, a imagem do teu rosto virá, límpida e certa, ao meu encontro.
Guilherme Cavalcante
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