and I'm floating in the most peculiar way
and the stars look very different today...
quarta-feira, 2 de julho de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Realidade
Momentos que se desfazem em cinzas,
plumas voando pelo ar inóspito dessa cidade desconhecida
o fog e a ressaca das noites em desespero ainda maculam o quarto
cinzas, da cor do mar visto da janela do meu quarto
a espuma de champanhe sugando cada grão de areia
renovando falsas lealdades em idas e vindas
fito o poema
feito de terra, sangue e cólera
cuspidos por mãos de aspereza incomum
mãos do proletário, laborador da vida real
a realidade é o barro, a argila, é o céu
a estrela há tempos morta e explodida
a realidade é o asco do poeta
desfalecida embaixo do cobertor
ao lado dos medos, batalhas, perfumes, amores
a realidade é a dor de cada dia.
Eis que no momento sobrevoa a minha janela um passarinho,
e eu a me questionar: será que sabe para onde vai?
Ou seria a presciência um infortúnio próprio do ser humano?
plumas voando pelo ar inóspito dessa cidade desconhecida
o fog e a ressaca das noites em desespero ainda maculam o quarto
cinzas, da cor do mar visto da janela do meu quarto
a espuma de champanhe sugando cada grão de areia
renovando falsas lealdades em idas e vindas
fito o poema
feito de terra, sangue e cólera
cuspidos por mãos de aspereza incomum
mãos do proletário, laborador da vida real
a realidade é o barro, a argila, é o céu
a estrela há tempos morta e explodida
a realidade é o asco do poeta
desfalecida embaixo do cobertor
ao lado dos medos, batalhas, perfumes, amores
a realidade é a dor de cada dia.
Eis que no momento sobrevoa a minha janela um passarinho,
e eu a me questionar: será que sabe para onde vai?
Ou seria a presciência um infortúnio próprio do ser humano?
terça-feira, 15 de outubro de 2013
A Fera (Instinto)
Tal qual o soldado que da guerra torna
alma aos pedaços
em pequenos recortes opacos,
marcha o Homem,
cada vez menos Homem,
cada vez mais Fera.
Imune às dores do amor
incoercível frente aos rogos do coração,
segue ele, a passos de colosso,
rumo às trevas permanentes
desse mar sem vida,
somente escuridão.
Não há no Universo ser igual:
que do próprio irmão verte o sangue,
em profunda cólera;
e da terra que semeia
suga a alma e a devora,
à saciedade, como só ele é capaz.
O Homem. A Fera.
alma aos pedaços
em pequenos recortes opacos,
marcha o Homem,
cada vez menos Homem,
cada vez mais Fera.
Imune às dores do amor
incoercível frente aos rogos do coração,
segue ele, a passos de colosso,
rumo às trevas permanentes
desse mar sem vida,
somente escuridão.
Não há no Universo ser igual:
que do próprio irmão verte o sangue,
em profunda cólera;
e da terra que semeia
suga a alma e a devora,
à saciedade, como só ele é capaz.
O Homem. A Fera.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
My heart leaps up when I behold
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
I could wish my days to be
Bound each to each by natural piety. (William Wordsworth)
-
Meu coração bate mais forte ao ver
O arco-íris no céu sugir:
Assim foi no início de minha vida,
Assim é, metade dela corrida,
Assim seja quando envelhecer,
Se não a morte irei preferir!
O Menino é o pai do Homem;
Queria que meus dias fossem, afinal,
unidos um a um pela piedade natural. (Tradução: Alberto Marsicano)
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
I could wish my days to be
Bound each to each by natural piety. (William Wordsworth)
-
Meu coração bate mais forte ao ver
O arco-íris no céu sugir:
Assim foi no início de minha vida,
Assim é, metade dela corrida,
Assim seja quando envelhecer,
Se não a morte irei preferir!
O Menino é o pai do Homem;
Queria que meus dias fossem, afinal,
unidos um a um pela piedade natural. (Tradução: Alberto Marsicano)
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Minha liturgia
sob o jugo de Deus,
a mim só me resta a angústia.
de dia sou cristão,
mas a noite quando até o véu em si escurece
a ninguém engano: quem me olha, me diz pagão.
me apego ao terço, livro e à Santa
não sou eu de maldar, maldizer ou amaldiçoar
apenas rogo, no silêncio entre meus botões,
que sobre mim não recaia
a ira dos que não me veem rezar.
aquele que me lê, julgando meu verso por ironia,
a si mesmo desafia: vê só este! mal lá conhece a liturgia!
mas dentro de mim mora este ser:
que, resoluto e em silêncio,
apenas crê.
a mim só me resta a angústia.
de dia sou cristão,
mas a noite quando até o véu em si escurece
a ninguém engano: quem me olha, me diz pagão.
me apego ao terço, livro e à Santa
não sou eu de maldar, maldizer ou amaldiçoar
apenas rogo, no silêncio entre meus botões,
que sobre mim não recaia
a ira dos que não me veem rezar.
aquele que me lê, julgando meu verso por ironia,
a si mesmo desafia: vê só este! mal lá conhece a liturgia!
mas dentro de mim mora este ser:
que, resoluto e em silêncio,
apenas crê.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
as eras que passam,
mas são os minutos que corroem.
o infindável ruído do relógio pendurado à parede amarelada
a mim me parece como o sol que derrete em gotas inflamáveis
os segundos do dia
esparramados na mesa de jantar.
e eu, criatura estática
prostrado diante do caos silencioso que impera,
receio o embate contra o Tempo.
sou um desertor.
alheio-me desse corpo para me apossar da minha alma
tênue e opaca, a vagar por alguma cidade fantasma
tal qual o dono...
mas são os minutos que corroem.
o infindável ruído do relógio pendurado à parede amarelada
a mim me parece como o sol que derrete em gotas inflamáveis
os segundos do dia
esparramados na mesa de jantar.
e eu, criatura estática
prostrado diante do caos silencioso que impera,
receio o embate contra o Tempo.
sou um desertor.
alheio-me desse corpo para me apossar da minha alma
tênue e opaca, a vagar por alguma cidade fantasma
tal qual o dono...
terça-feira, 2 de julho de 2013
Fim de tarde
tenho vivido dos pequenos contentamentos diários...
minha vida se resume ao minuto por vir.
minha vida se resume ao minuto por vir.
terça-feira, 25 de junho de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Todo homem deve escolher um momento do dia para perscrutar o seu eu. O maior covarde é aquele que foge do confronto com a solidão, e recorre, invariavelmente, ao intuitivo agrupamento em multidões. Esse instinto de sobrevivência que associa os homens, muitas das vezes os mata, ao distanciá-los de si mesmos.
terça-feira, 19 de março de 2013
Do outro lado
o alívio que causa o desprendimento da alma
a transpiração dos princípios fúteis
queria levar uma vida moralmente frugal,
apenas por um dia.
Dilacerar a noção de espaço em invisíveis universos
absorver em ínfimas porções de oxigênio
somente o necessário ao suspiro de alívio
e correr, correr nos infinitos campos e vales
de um país que eu nunca conheci,
despido dos olhares perscrutadores
dos homens mesquinhos
que hoje me arranham a pele.
a transpiração dos princípios fúteis
queria levar uma vida moralmente frugal,
apenas por um dia.
Dilacerar a noção de espaço em invisíveis universos
absorver em ínfimas porções de oxigênio
somente o necessário ao suspiro de alívio
e correr, correr nos infinitos campos e vales
de um país que eu nunca conheci,
despido dos olhares perscrutadores
dos homens mesquinhos
que hoje me arranham a pele.
quarta-feira, 13 de março de 2013
O homem comum
no claustofróbico cômodo
o tapete empoeirado
e sobre a mesa o pão embolorado
rezam a prece fúnebre do cidadão
homem malsão,
de músculos retesados
e face queimada pelos poucos,
ainda que poucos,
feixes de sol a adentrar o cômodo.
Claustrofóbico.
Onde a alma do cidadão sobrevive da antropofagia do cotidiano.
o tapete empoeirado
e sobre a mesa o pão embolorado
rezam a prece fúnebre do cidadão
homem malsão,
de músculos retesados
e face queimada pelos poucos,
ainda que poucos,
feixes de sol a adentrar o cômodo.
Claustrofóbico.
Onde a alma do cidadão sobrevive da antropofagia do cotidiano.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Dia que segue
me desapego desse consolo
sou atordoado a visão do vento
fluido e ligeiramente tépido
uma das melhores futilidades da vida:
nunca perder de vista
as sutilidades do dia.
sou atordoado a visão do vento
fluido e ligeiramente tépido
uma das melhores futilidades da vida:
nunca perder de vista
as sutilidades do dia.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
O Convidado
Vesti meu melhor smoking. A ocasião pedia tal distinção, e a mim não caberia destoar dos demais presentes. Chamo o táxi e digo ao motorista que o guie até o meu enfadado destino, contando os tostões que ainda tenho na velha carteira de couro batido. Nossa! Nunca pensei que o evento fosse se dar num local tão suntuoso: uma mansão rústica, com um imenso jardim de frente, onde um querubim apoiando-se sobre um pé figurava solitário sobre uma fonte de água. "Burlesco!" - penso eu, em um pretensioso lapso aristocrata. "Senhor ***?" - inquere-me, quase que ameaçadoramente, o jovem e corpulento recepcionista, como que ansioso para impedir minha entrada. Respondi afirmativamente, entregando-lhe meu convite. O salão era esplendoroso, com lustres dourados iluminando todo o recinto e mesas muito bem servidas de comes e bebes típicos da classe burguesa que outrora fui integrante proativo. Há quanto tempo não me sirvo de um Jack Daniels! "Garçom, três pedras de gelo devem bastar". Acendo meu primeiro cigarro e entorno um gole de whisky. Sinto-me naqueles tempos novamente! Ouço ao fundo o som de Charlie Parker tocando e toda aquela bruma de romantismo e mistério me envolvem novamente a visão; todo o torpor da fantasia parece flutuar diante de meus olhos, me sugando diretamente pro nada. Mas que assim bastasse! Um saxofone, uma dose de whisky e a névoa de um cigarro sempre aplacaram a excessiva fluidez da alma de um homem em seu corpo terreno. Ponho-me a vigiar o lugar. Sou o observador taciturno no canto do salão. A senhora na mesa ao lado, transpirando toda sua banalidade em escandalosas risadas e jóias requintadas. O marido, provável industrial do ramo de plantação de milho e soja, já não a satisfaz como há 19 anos, antes de terem o primeiro filho. Pobre alma. Do outro lado, o pequeno intelectual, com seu casaco de tweed, lentes redondas nos óculos e olhos semicerrados, como se estivesse, a todo momento, perscrutando uma obra de Dostoiévski que nunca leu. O anfitrião cruza à minha frente, forçando-se a me lançar um sorriso cortês, porém isosso. Homem de ombros largos e barba espessa, sempre no centro das rodas de conversa, falando sobre Paris, bourbons, cavalos de corrida e bolsa de valores. Gentil com os convidados, austero com os netos e rude com os subordinados. Aos olhos da sociedade, um merda de gentleman. Como são complacentes os cidadãos para com aqueles que os têm sob o cabresto, dá-lhes migalhas do pão de ontem e guarda o pão de hoje para si! Eis que olho para o palco, uma singela lona num canto do salão, perto da grande escada de mármore branco. Vejo um homem, negro, trajando um smoking branco e assoprando suavemente um saxofone. De olhos fechados, por ele passam despercebidas a decadência, a podridão e todo o odioso aroma blasé que paira sobre o local. Escapam do seu tato, em razão do estado de transe causado por sua melodia, tudo aquilo quanto supérfluo daquele ambiente. E o que não seria supérfluo diante da sua música? "Deixem o homem tocar!" - exclamo eu, silenciosamente, em pensamento. Deixem que aquele homem, absorto na sua alma, transcenda este universo trivial dos que fumam charutos cubanos em suas mansões; dos que sentam em suas poltronas para viver a vida da televisão; dos que apostam em cartas e dados; dos que transam com prostitutas em becos escuros, por medo da própria lascívia. Penso em cumprimentar o saxofonista pela esplendorosa atuação, mas desencorajo-me. Bebo rapidamente o que restava do whisky e procuro a porta de saída. Desço, um pouco trôpego, os degraus que se dirigem à praça onde fica a grotesca fonte com o querubim e nela me sento um pouco. E me ponho a olhar para os astros, divagando sobre sua infinitude e outras banalidades trazidas à tona pelo álcool. Espero ainda ter dinheiro para a volta no táxi.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Mundo
Uma vez eu vivi num mundo
onde era caro viver
e me entristecia no fundo
aquilo que só os que têm
alma podem ver
vi num segundo silenciar o
choro de uma criança
chorei quando me cortei na
fina navalha
da vã esperança
Uma vez eu vivi num mundo
onde era escuro viver
sangrei minhas mãos por
gente
que sob a pele, não
existia um ser
ouvi do outro lado do
mundo
o grasnar de um corvo
que mesmo cego e imundo
se alimentava das
entranhas do povo
Uma vez eu vivi num mundo
onde era estranho viver
lá jazem o riso e a paz
mas os senadores e
deputados
nele habitam por demais
Uma vez eu vivi num mundo
onde não havia escolha,
que não morrer
pois o torpor havia
dominado
aqueles que acham que a
mãe devia ir, para o filho não perecer
Uma vez eu morri num mundo
onde era melhor não viver.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
deitado no vácuo
e a vontade de virar ar me ocupa o pensamento
vou morrer da realidade cotidiana
se antes não flutuar, como névoa,
por todo o firmamento
e antes, me pulsa no peito o peso invisível da existência
porque eu sei que moro no templo (irreal)
entre a alma e a ciência
Há de chegar o dia em que eu,
bêbado de cólera, sonho e aguardente
vou irromper pelos caminhos desviantes
da minha própria estrada,
silente.
"And this is the house where I could be unknown
be alone now
soon the waves and I
found the rolling tide
soon the waves and I
found the rip tide." - Beirut
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Esvaíram-se, amigo. Foram embora todos aqueles anos de ira
silenciosa, impúbere, que me tomavam o seio da alma. Sinto hoje como se me
tivesse sido subtraída toda rebeldia da saudosa adolescência. Que saudade de
minha adolescência! Do meu olhar de passarinho, vendo o mundo através da lente da
alma... eu sentia sem saber. Como um sonho, que, mesmo com todo esforço da vida, não consigo me lembrar como foi...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
E toda alegria postiça,
esse falso êxtase
a fantasia acomodada no momento fútil...
isso vai passar.
Diante da felicidade genuína
do mar lavando os pés e a maresia arranhando o rosto,
fez-se dissolvida a fotografia do momento de euforia,
fez-se morto o reino da ilusão fingida,
e posto o reino da ilusão espontânea e fugás,
que essa sim,
mora no âmago da vida,
e por mais efêmera que seja,
não passará jamais.
esse falso êxtase
a fantasia acomodada no momento fútil...
isso vai passar.
Diante da felicidade genuína
do mar lavando os pés e a maresia arranhando o rosto,
fez-se dissolvida a fotografia do momento de euforia,
fez-se morto o reino da ilusão fingida,
e posto o reino da ilusão espontânea e fugás,
que essa sim,
mora no âmago da vida,
e por mais efêmera que seja,
não passará jamais.
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